O primeiro debate entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, na noite deste domingo (18), começou com uma troca de acusações: o candidato do PL mencionou a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ambos são investigadores por envolvimento no escândalo do INSS. Por outro lado, o presidente questionou Flávio sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.
O debate transmitido pela Band foi dividido em três blocos. No primeiro, os mediadores fizeram perguntas que foram respondidas pelos dois candidatos. A jornalista Adriana Araújo abriu o debate com uma pergunta sobre a segurança pública e a redução da maioridade penal. Flávio disse que irá declarar guerra contra o crime organizado e classificar PCC, CV e milícias como terroristas. Não vai ter ninguém passando a mão na cabeça de bandido como acontece no atual governo. […] Quem vai andar com medo nas ruas são eles”, declarou.
Lula iniciou sua fala criticando Flávio Bolsonaro por não ter se manifestado favoravelmente à PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso em 2025. O presidente afirmou que sua gestão aprovou a lei antifacções e está combatendo o crime organizado, inclusive com operações contra o “andar de cima”, ou seja, pessoas que atuam nos níveis mais altos dessas organizações. Lula também defendeu a PEC, que, segundo ele, permitirá maior integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.
Em seguida, ocorreu o primeiro embate direto com o banco de tempo de 15 minutos para administração de cada candidato. Lula fez a primeira pergunta sobre Flávio ter votado contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio, mas o candidato do PL respondeu com o questionamento sobre as relações do filho do petista com a lobista Roberta Luchsinger.
Lula afirmou não conhecer a lobista, disse que ela é um problema da Polícia Federal e sugeriu que a lobista teria sido induzida a dar uma entrevista à CNN na noite de sábado (17).
Lula também disse que Lulinha disponibilizou dados bancários e telefônicos para investigação e acusou o governo de Jair Bolsonaro de ter abrigado a organização responsável pelas fraudes no INSS. Flávio contestou que quem “roubou” os aposentados e pensionistas foi o governo do PT. Lula pediu explicações de Flávio sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e os valores associados ao financiamento do filme Dark Horse.
Flávio, por sua vez, acusou Lulinha de estar na Espanha para fugir das investigações e criticou a atuação da PF no caso. Lula rebateu dizendo que o irmão do candidato do PL Eduardo Bolsonaro estaria nos Estados Unidos “conspirando contra o Brasil” e afirmou que os envolvidos deveriam responder à Justiça.
O confronto ficou mais acalorado quando Flávio chamou Lula de corrupto, exibindo a mão com a palavra e as letras “PT” destacadas. Lula, na contrapartida, pediu a explicação sobre o destino de recursos associados ao caso Vorcaro. O petista chamou o senador de “irresponsável” e afirmou que “ele consegue ser pior do que o pai”, em referência a Jair Bolsonaro.
Lula chama Flávio de “miliciano” e “malandro carioca”
Durante o confronto, Lula chamou Flávio de “miliciano” por ter empregado no gabinete parentes de Adriano da Nóbrega, que foi acusado de chefiar o “Escritório do Crime” no Rio de Janeiro. O senador retrucou que foi o ministro André Mendonça quem determinou a prisão de Vorcaro e acusou Lula de utilizar a PF de forma seletiva. Lula cobrou explicações sobre o destino do dinheiro de Vorcaro a Flávio e defendendo que as investigações avancem.
Na reta final do primeiro bloco do debate, Lula cometeu uma gafe ao chamar Flávio Bolsonaro de “malandro carioca”, em uma referência à postura do adversário diante dos questionamentos sem respostas feitos durante o confronto. A expressão foi usada para insinuar que o senador estaria evitando responder diretamente às perguntas do candidato à reeleição, em meio à troca de acusações entre os dois candidatos.
No início do segundo bloco, Flávio Bolsonaro se solidarizou com a população do Rio de Janeiro após Lula se referir a ele como “malandro carioca” no bloco anterior. O senador acusou o presidente de demonstrar preconceito contra os cariocas e criticou o uso da expressão durante o debate.
Flávio Bolsonaro chegou acompanhado de Moro e Nikolas; Lula estava junto com primeira-dama
Na chegada aos estúdios, em São Paulo, Flávio afirmou que aguardava o confronto direto com Lula desde o primeiro turno para “esfregar verdades na cara” do adversário e comparar o plano de governo do PL com o projeto de reeleição petista.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro chegou acompanhado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), pelo governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL-PR), pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e pela coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques (PP-SP).
Com uma gravata azul, verde e amarela, Lula foi o segundo a chegar para o debate da Band. O petista afirmou que esperava uma “aula de civilidade para que a sociedade aprenda a respeitar a política”. “Eu vim para discutir o Brasil. […] Minha estratégia é conversar com o eleitor”, disse o presidente da República, que chegou acompanhado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.
No primeiro turno, Flávio e Lula optaram por não participar do debate na sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação. O evento — único realizado por um canal de televisão na fase anterior das eleições — teve a presença dos candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Lula e Flávio discutem sobre SUS e atuações de governos na área da saúde
Questionado pela bancada sobre como reduzir as filas de exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar os recursos destinados à área, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende convidar Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde.
O candidato defendeu a implantação de um prontuário eletrônico integrado, vinculado ao CPF dos pacientes, para reunir informações médicas e facilitar o atendimento. Também propôs o uso da telemedicina em situações de emergência, com encaminhamento dos pacientes às unidades de saúde adequadas, além da automatização dos serviços e da garantia de disponibilidade de medicamentos. Flávio prometeu um SUS com atendimento humanizado e padrão de qualidade semelhante ao do Einstein.
Lula criticou as propostas do adversário e questionou se a indicação de um ex-dirigente do Einstein representaria uma intenção de privatizar o SUS. O presidente afirmou que Flávio não tem experiência em saúde pública e responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro por desconsiderar a ciência durante a pandemia de Covid-19, que deixou cerca de 700 mil mortos no Brasil. Lula defendeu o fortalecimento do sistema público e afirmou ter orgulho de ter trabalhado para recuperar o SUS.
Nas perguntas direcionadas, Flávio questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos e citou casos de pessoas assassinadas por condenados que estavam fora das prisões. Lula respondeu que é favorável à ressocialização de detentos com bom comportamento, mas defendeu que condenados por crimes hediondos não tivessem acesso ao benefício.
Na sequência, Lula disse que Flávio nunca trabalhou e não conhece a realidade dos trabalhadores. Reconheceu que o custo de vida continua elevado, mas comparou a inflação dos alimentos durante os governos de Jair Bolsonaro e em sua gestão.
Segundo o presidente, os preços subiram 56% no governo anterior e 17% durante seu mandato. Lula defendeu aumentos reais para o salário mínimo e para aposentados e pensionistas, além de prometer combater a inflação, que atribuiu, em parte, aos conflitos no Oriente Médio e às ações do presidente americano Donald Trump contra o Irã e seus impactos sobre a circulação pelo estreito de Ormuz.
Em novo confronto sobre saúde, Lula voltou a criticar a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia. Flávio Bolsonaro admitiu que houve falhas na condução da crise sanitária, mas argumentou que, se Lula pôde ser vacinado, isso ocorreu porque o governo de seu pai comprou as vacinas. O senador também acusou o presidente de apresentar contradições em relação ao legado de Jair Bolsonaro.
Lula propõe abertura de sigilos bancários e telefônicos
No terceiro bloco, Lula propôs que ele e Flávio Bolsonaro abram, nesta segunda-feira (19), seus sigilos bancários e telefônicos como forma de demonstrar quem é mais honesto. O presidente afirmou que está disposto a autorizar o acesso às informações de toda a própria família, desde que o senador faça o mesmo com seus familiares.
Flávio não respondeu diretamente se aceitaria a proposta, mas questionou a origem de supostos recursos destinados a Lula e mencionou alegações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre pagamentos feitos “por fora e em dinheiro vivo”. O senador citou valores que, segundo ele, envolveriam R$ 30 milhões relacionados ao Instituto Lula e ao financiamento de um filme sobre a trajetória do presidente.
Segundo o presidente, os preços subiram 56% no governo anterior e 17% durante seu mandato. Lula defendeu aumentos reais para o salário mínimo e para aposentados e pensionistas, além de prometer combater a inflação, que atribuiu, em parte, aos conflitos no Oriente Médio e às ações do presidente americano Donald Trump contra o Irã e seus impactos sobre a circulação pelo estreito de Ormuz.
Em novo confronto sobre saúde, Lula voltou a criticar a atuação de Jair Bolsonaro durante a pandemia. Flávio Bolsonaro admitiu que houve falhas na condução da crise sanitária, mas argumentou que, se Lula pôde ser vacinado, isso ocorreu porque o governo de seu pai comprou as vacinas. O senador também acusou o presidente de apresentar contradições em relação ao legado de Jair Bolsonaro.
Lula propõe abertura de sigilos bancários e telefônicos
No terceiro bloco, Lula propôs que ele e Flávio Bolsonaro abram, nesta segunda-feira (19), seus sigilos bancários e telefônicos como forma de demonstrar quem é mais honesto. O presidente afirmou que está disposto a autorizar o acesso às informações de toda a própria família, desde que o senador faça o mesmo com seus familiares.
Flávio não respondeu diretamente se aceitaria a proposta, mas questionou a origem de supostos recursos destinados a Lula e mencionou alegações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre pagamentos feitos “por fora e em dinheiro vivo”. O senador citou valores que, segundo ele, envolveriam R$ 30 milhões relacionados ao Instituto Lula e ao financiamento de um filme sobre a trajetória do presidente.
https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-bolsonaro-lula-primeiro-debate-presidencial






