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Propinoduto: Vorcaro pagou filme sobre Lula para fazer negociatas com o governo

Documentos revelam esquema envolvendo ministros petistas e acesso a fundos de estatais, conforme denúncia apresentada à Procuradoria

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que investigações sobre o escândalo do Banco Master devem prosseguir até o fim. Documentos revelados pela revista VEJA, porém, indicam um suposto esquema de propina envolvendo ministros do governo federal e operadores do Partido dos Trabalhadores.

O esquema denunciado

O banqueiro Daniel Vorcaro apresentou à Procuradoria Geral da República áudios e anexos descrevendo uma suposta rede de acesso aos fundos de pensão de estatais. Segundo seu relato, a aproximação com o governo envolveu nomes centrais petistas e custaria cerca de R$ 30 milhões em espécie para viabilizar contatos.

O pedágio acordado seria de 10% sobre qualquer captação nos fundos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios. Vorcaro calcula projeção de R$ 1 bilhão ao PT e R$ 9 bilhões ao operador do esquema em questão.

NO ÁUDIO DE VORCARO SOBRE LULA QUE VEM À TONA! Vorcaro relata um suposto pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamoto, para financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior. Ele também menciona outro pagamento à instituição, cujo valor não foi revelado.

Os intermediadores

Jaques Wagner — líder do governo no Senado, teria aberto contato inicial

 João Vaccari Neto — ex-tesoureiro do PT, negociou detalhes operacionais

Alexandre Padilha — ministro das Relações Institucionais, indicou contatos relevantes

Olavo Noleto — então secretário executivo, apresentado como acesso direto à chefia ministerial

Cronologia dos fatos

Em 29 de abril de 2024, intermediário identificado como Júlio apresentou Vorcaro a Olavo Noleto. No mesmo dia, o Banco Master entrou na lista exaustiva de instituições credenciadas a receber aportes públicos. Dois dias depois, Vorcaro e Padilha jantaram na casa do banqueiro.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro registram cobrança de R$ 500 mil pela intermediação. Em outubro, Júlio prometeu ao banqueiro um encontro com o presidente. As operações desaceleraram em julho quando a imprensa divulgou a destituição de gerentes da Caixa contrários ao Banco Master.

 “O do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi”

— Síntese de Vorcaro sobre as operações sob investigação

Lula, Padilha e Noleto negam irregularidade ou favorecimento. Não há comprovação de encontro com o presidente conforme prometido. O único registro confirmado no Palácio do Planalto data de 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, tratando do Banco Master no Banco Central.

A PGR descartou o anexo do delator argumentando que pagamentos em espécie não deixam lastro documental auditável. O critério gerou questionamentos nos bastidores do Ministério Público, já que dinheiro vivo serve justamente para impedir formação de provas.

Investigações sobre o caso continuam em aberto enquanto se aguarda novas documentações. A defesa do governo mantém posição de que não houve irregularidades, mas a repercussão mantém o tema como foco de escrutínio na mídia e no Ministério Público.

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